Exposição patente na Galeria Vieira Portuense 8 de Novembro a 6 de Dezembro.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Texto por Casimiro Pinto
The temple bell stops
but the sound keeps coming
Matsuo Bashô (1644 - 1694)
Exposição/ expressão
A minha hipótese de trabalho é que o labor do artista
incorpora, com o seu génio, o indizível da natureza, estrutura-o, por assim
dizer. De riscos, pinceladas, luz atirados porventura ao acaso, que o mesmo é
dizer, com a emoção do momento, o artista organiza aquilo que lá não está mas,
contudo, não pode estar noutro lugar -
finados os sinos do templo, continua a soar o seu som vindo das flores,
dizia-se em epígrafe. É, por isso, função do auditor, do lugar do auditório,
saber ouvi-lo, juntando todas as suas graças à emoção do artista.
Se a visão particular do observador, do lugar de observação,
é limitada, a expressão do significado do que está a ser visto pode até ser
dispensada, mas arte submetida ao olhar só alcança significado se é "terminantemente
expressa".
O objecto desta exposição é o revirar, na memória, do conceito de jardim limitado ao
lado exterior dos quintais das casas ou às bordas da cidade - sempre nas
margens, portanto! O fim, pouco interessa as ideias que se partilham com o
artista (só mesmo a este tal assunto pode interessar) é que cada um,
jardineiro, no lugar do jardim, siga com o seu caminho, continuando a surpreender-se
na natureza e na cultura.
Olhador/devir
Se o que está a ser visto é ilimitado, é o seu olhador (do
lugar de vigia) que, contemplando cada
obra que espera o que cada um faz com
aquilo que expressa, desvela ao autor o que realmente disse com a sua obra.
Por isso, o ato de criação é um devir. De todo o seu vagar,
o locutor (no seu lugar de falante)
governa o autor e o mundo que sobre os outros o autor construiu, com o silêncio
de que nasce a locução, a opinião crítica e que, por isso, não é ausência de comunicação. Assim recupera
o destinatário (do seu lugar de visitante) a posição de coprodutor de sentido e
reverte o autor para a posição de audiência (no seu lugar de ouvinte).
Afinal, a obra exposta não é apenas como a vê o seu autor,
mas é sobretudo o que ele lê (do lugar de leitura) nas narrativas dos outros. A
obra determina o contexto da hermenêutica exequível, mas o exercício, a escolha
interpretativa, é essência da liberdade
do público (do seu lugar comum).
Obrador/autoria
Um dos maiores prazeres retirados da escrita deste texto foi
a rememoração dos itinerários partilhados enquanto professores, porque o somos
ambos, enquanto obradores da aprendizagem alheia. Claro que a utilização de uma
palavra invoca um conjunto de ideias que se lhe associa e que ela implica. O
termo "obrador" evoca a ideia de obra e de obreiro, de artífice e de
artista. E tudo isto é Domingos Júnior, alguém que faz sair do seu trilho próprio
as competências artísticas que domina para as trocar de lugar e de papéis, de
as pôr ao serviço da vida e dos outros.
Se a obra de Domingos Júnior se oferece ao desfrute de quem
a contempla, como é o meu caso, pode bem ser porque cada pintura remete para um
reportório global de imagens de uma
certa realidade, ao mesmo tempo que evoca inventários pessoais da mesma
realidade. Que o mesmo é dizer, como se desenvolveu anteriormente, que face a
uma obra que traz em si um certo limite à interpretação e uma certa forma de
colocar o conhecimento da realidade , pode cada um ser coautor com a sua
interpretação, se a instar livremente com a forma particular de a pensar
ativamente.
E, no meu caso, a participação nesse processo de coautoria dos
"Jardins" de Domingos Júnior naturaliza-se nas memórias das
brincadeiras infantis e nas experiência fraturantes da juventude que mantive
longe do olhar dos adultos, nos espaços de fronteira da casa familiar, mas
afastado do seu conforto. Tal como o lembro, no meu jardim cada flor era
experiência de desafio, de beijo "roubado", de aventura e prazer. Um
prazer e uma vaidade poder revisitar os meus jardins no conforto estético dos
"Jardins" de Domingos Júnior.
Casimiro Pinto
Curriculo Domingos Júnior
Nascido em Moçambique em 1950 na cidade de Lourenço Marques
(atual Maputo), frequentou aí o núcleo de Arte sob a orientação do pintor
António Quadros entre 1964 e 1968.
Licenciado em Arquitetura pela Escola Superior Artística do
Porto (ESAP), tendo finalizado os três primeiros anos do curso, na Escola
Superior de Belas Artes do Porto (ESBAP).
Foi docente das disciplinas da área de Expressão Plástica do
2º ciclo do Ensino Básico desde 1978 a 2013, ano em que se reformou.
Foi docente em acumulação, na ESAP entre 1990 e 2004, onde lecionou
as disciplinas de Arquitetura Contemporânea de Modelos II, Arquitetura I e
Trabalho de Projeto (6º ano).
Durante os anos de 2001 a 2007, foi docente requisitado na
Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), nos cursos de Educadores de
Infância, Professores do 1º ciclo, Arquitetura Paisagista e Engenharia
Ambiental, onde lecionou as disciplinas de Expressão Plástica, Metodologia da
Expressão Plástica, Manualidades Educativas, Teorias e Técnicas da Criatividade,
História de Arte, Desenho, Urbanismo e Organização Biofísica do Território.
Exerceu Arquitetura
desde que se formou em empresas e atelier próprio. Participou na exposição coletiva de Arquitetura - 10 anos da CESAP
- em 1993.
Menção honrosa, conjuntamente com o Arquiteto Helder Colmonero,
no concurso público para recuperação de edifício para APDL - Matosinhos.
No decorrer da sua atividade
profissional, expôs os seus trabalhos de pintura e desenho em mostras coletivas
de professores, da qual se destaca a exposição no Castelo de São João do Porto
em 1999.
Expôs individualmente pintura em 1995,
em Vila Real, na Galeria do Centro de Turismo.
Realizou uma Pós-Graduação em Reabilitação de
Centros Urbanos, integrado no Projeto 11 da UNESCO - O Homem e a Biosfera, em
1995.
Foi diretor-adjunto, das edições
Cadernos da ESAP e do jornal O Cubo.
Realizou a parte curricular de
Doutoramento, na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Valladolid, no
Biénio de 1997/1998.
Foi Comissário das exposições e Coordenador,
na UTAD, do IV Festival Internacional do Filme Cientifico, em 2002.
Frequentou duas formações em
Ilustração Cientifica, sob orientação do mestre Fernando Correia e organizado
por CIIMAR/UP, e expôs os seus trabalhos coletivamente na Galeria dos Leões, em
2010.
Realizou uma exposição intitulada "Colagens Moralistas”, na Galeria Olga Santos, em Outubro de 2013, no Porto.
Participou numa exposição colectiva "(Con)Tributos da Liberdade a Joan Miró" na Galeria Olga Santos, em Maio de 2014 e na exposição colectiva de pintura, fotografia e escultura, intitulada ”Arte nas Termas”, nas Termas da Curia Resort, de 15 de Agosto de 2014 a 7 de Setembro na, em parceria com a Galeria Olga Santos.
Participou também no VIII VERA World Fine Art Festival, na Cordoaria Nacional, em Lisboa, que se realizou de 16 a 21 de Setembro de 2014, numa parceria com a Galeria Olga Santos.
Realizou uma exposição intitulada "Colagens Moralistas”, na Galeria Olga Santos, em Outubro de 2013, no Porto.
Participou numa exposição colectiva "(Con)Tributos da Liberdade a Joan Miró" na Galeria Olga Santos, em Maio de 2014 e na exposição colectiva de pintura, fotografia e escultura, intitulada ”Arte nas Termas”, nas Termas da Curia Resort, de 15 de Agosto de 2014 a 7 de Setembro na, em parceria com a Galeria Olga Santos.
Participou também no VIII VERA World Fine Art Festival, na Cordoaria Nacional, em Lisboa, que se realizou de 16 a 21 de Setembro de 2014, numa parceria com a Galeria Olga Santos.
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